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Se aparecerem outra vez terei que recorrer a um feiticeiro da net para resolver este mau olhado. Talvez o professor Bambo.
GARSE, ou Gabinete de Assuntos Religiosos e Sociais Específicos (adoro o “específicos”), é um gabinete da Câmara Municipal de Loures que, apesar de ser do PS, ainda não se deu conta que o Estado Português é laico. No seu site http://www.cm-loures.pt/aa_ASocial.asp lemos que o GARSE trata de vários assuntos sociais de minorias étnicas (até aí tudo bem) “…bem como as questões de âmbito religioso…”, e aquí começa a cheirar mal. Continua “… o GARSE apoia e acompanha as actividades sócio-culturais e a construção de equipamentos sociais e de culto.”
Será que os nossos impostos servem para apoiar religiões e construir locais de culto, sejam eles quais forem? Pessoalmente pensava que tinha o direito de não contribuir para qualquer religião num estado democrático e secular, mas devo ter-me enganado!
Em geral é nos exigido respeito por uma religião mas não por uma seita. Mas qual é a diferença? Uma religião define-se como um culto prestado à divindade; doutrina ou crênça religiosa, enquanto uma seita se define como doutrina ou sistema que se afasta da crênça geral. Ao que parece, a diferença é meramente geográfica: em Portugal o islão é uma seita, mas no Irão o catolicismo é que o é. Parece-me razoável, mas então porque é que a comunidade islâmica neste país deve ser altamente respeitada enquanto da comunidade das Testemunhas de Jeová ninguém quer saber? Porque existe um acordo politicamente correcto de respeitar o que nos convém? Porque temos mêdo dos radicais islâmicos e enquanto não existirem Testemunhas de Jeová radicais a explodirem por aí não há problema? Que cinismo!
Como ateia eu gabo-me de não respeitar religião nenhuma, e o facto de a maioria ser religiosa não me convence de rigorosamente nada: se a maioria de uma população for diabética, isto não significa que o seu estado de saúde seja um objectivo a atingir. Pode ser “normal”, porque a maioria sofre desta doença, mas não é de modo algum um ideal de saúde: apesar de a maioria ser diabética eu continuo a querer que os meus filhos não o sejam, certo?
Ainda ninguém me explicou porquê é que tenho de respeitar disparates só porque têm a etiqueta duma religião. Se a minha vizinha tem um incêndio em casa porque a encheu de velas para uma noite de amor ela é descuidada, maluca, depravada, etc., se acendeu as velas para livrar a casa de maus espíritos ou maus olhados e incendiou a casa é parva, crédula e sei lá mais o quê, mas se acendeu as velas para prestar culto à virgem Maria então coitada, esteve a rezar e teve um acidente? Se um puto ouve a música aos berros vamos tocar à campainha e chamar-lhe a atenção devido à falta de respeito pelos outros, mas se os foguetes da festa de Todos os Santos me acordam às 8 da manhã num domingo tenho de respeitar esta impertinência?
Eu posso respeitar as pessoas (nem todas), os animais e as plantas, mas não me peçam para respeitar seja o que for só por andar com a bengala da religião.
Já me mandaram a boca que estavam fartos de ver a Floribosta no meu blog. Pois é, também eu, mas receio que não tenho nada de brilhante para partilhar. No entanto, e só para ter uma entrada de 2007, vou contar o que fiz hoje.
Hoje fui com alunos visitar o jornal Record, e depois fui com colegas almoçar, dizer disparates e beber imperiais. Com uma vida destas é difícil escrever seja o que for de pertinente. Aliás, uma visita de estudo para um jornal desportivo fundado por dois analfabetas e um suposto jornalista também não é das coisas mais emocionantes ou pertinentes. Fomos muito bem recebidos e bem tratados pela redacção, os alunos não cometeram nenhuma barbaridade nem foram parar à esquadra da polícia, de maneira que a parte mais interessante foi mesmo a de dizer disparates e beber imperiais (depois de despacher os alunos, porque, obviamente, os profs não fazem coisas destas).
Contudo estou convencida que os meus colegas e eu tivemos um óptimo desempenho no que respeita as espectetivas do nosso primeiro ministro e do seu “comic relief”, a ministra da educação. Só dissemos disparates tal como ela tem vindo a dar o exemplo, e bebemos imperiais para esquecer as consequências. Apesar de não saber a idade dessa coisa (não estou ainda 100% convencida que ela é humana), lamento que o referendo sobre a despenalização do aborto não tenha sido feito e ganho o sim há meio século atrás, pois desconfio que nós, professores e alunos, teriamos agora menos um problema.
No verão os meus sobrinhos estiveram um tempo comigo, de maneira que me iniciaram na experiência aluçinante de ver a Floribosta, digo, Floribella, na sic.
Além de passar num horário a meu ver muito tardio para as crianças, de ter maus actores e maus guionistas, o que mais me chocou foi a mensagem que é transmitida para os miúdos: sejam prepotentes e mal educados!
Vejamos: a personagem principal, que é a Floribosta, é uma jovem semi-analfabeta que vai servir de empregada doméstica para uma família de algum estatuto social/financeiro, se bem que paupérrimos em neurónios. Como sempre nas novelas, vivem todos ao monte mas numa grande mansão, com motorista, criadas, governantas, enfim, the whole caboodle. A Floribosta, além de ser daltónica (reparem nas roupas que veste) e revelar um pequeno atraso mental (tem por volta de 20 anos mas um discurso de uma miúda de 10 sem grande massa encefálica), revela-se como mentirosa compulsiva e prepotente e arrogante perante os seus patrões. Também os miúdos que entram na novela são malcriados e prepotentes, pregando partidas violentas aos habitantes da grande mansão porque não gostam deles e eles são maus. Isto permite à Floribosta e aos miúdos justificar toda a arrogância de se meterem constantemente onde não são chamados, opinarem sobre o que não lhes diz respeito, revistarem quartos que são dos outros, roubarem, mentirem, aldrabarem, fugirem, fazerem maldades(aos maus) e desobedecerem e desrespeitarem o desgraçado que os sustenta que é aparentemente o único que trabalha naquela casa. Parece que os mais novos ainda vão para a escola, mas os mais velhos nem escola nem faculdade nem nada: são meros parasitas do que trabalha. Este, por seu lado, mata-se a trabalhar para garantir uma vida abastadan a todos os parasitas que vivem à custa dele e que o consideram (provavelmente com toda a razão) um atrasado mental. Além do mais, tudo o que é empregado, visita ou mesmo o rapaz das pizzas tem direito a opinar sobre a vida dos patrões do modo mais depreciativo e irreverente.
Sendo assim, que mensagem estamos nós a transmitir à futura geração? Não precisam de estudar nem trabalhar, podem mentir, aldrabar,serem ordinários e prejudicar os outros (justiça por mão própria?),deixa que há de haver sempre um idiota qualquer a trabalhar para tí e não te esqueças que, aconteça o que acontecer, tens todos os direitos e nenhum dos deveres.
Onde é que eu já ouví isto? Ah sim, dos meus alunos, filhos da geração do 25 de Abril, semi-analfabetas que confundiram liberdade com libertinagem e aprenderam a exigir direitos e mais direitos sem se reponsabilizarem nem pelos próprios filhos.
Pois, se até os programas para miúdos continuam a fomentar esta mentalidade miserabilista, nem daquí a cem anos saimos da mediocridade crónica que contagiou quase todos os autóctones deste belo país de brandos costumes.