Tuesday, February 20, 2007

Religião implica respeito?

Em geral é nos exigido respeito por uma religião mas não por uma seita. Mas qual é a diferença? Uma religião define-se como um culto prestado à divindade; doutrina ou crênça religiosa, enquanto uma seita se define  como doutrina ou sistema que se afasta da crênça geral. Ao que parece, a diferença é meramente geográfica: em Portugal o islão é uma seita, mas no Irão o catolicismo é que o é. Parece-me razoável, mas então porque é que a comunidade islâmica neste país deve ser altamente respeitada enquanto da comunidade das Testemunhas de Jeová ninguém quer saber? Porque existe um acordo politicamente correcto de respeitar o que nos convém? Porque temos mêdo dos radicais islâmicos e enquanto não existirem Testemunhas de Jeová radicais a explodirem por aí não há problema? Que cinismo!

Como ateia eu gabo-me de não respeitar religião nenhuma, e o facto de a maioria ser religiosa não me convence de rigorosamente nada: se a maioria de uma população for diabética, isto não significa que o seu estado de saúde seja um objectivo a atingir. Pode ser “normal”, porque a maioria sofre desta doença, mas não é de modo algum um ideal de saúde: apesar de a maioria ser diabética eu continuo a querer que os meus filhos não o sejam, certo?

Ainda ninguém me explicou porquê é que tenho de respeitar disparates só porque têm a etiqueta duma religião. Se a minha vizinha tem um incêndio em casa porque a encheu de velas para uma noite de amor ela é descuidada, maluca, depravada, etc.,  se acendeu as velas para livrar a casa de maus espíritos ou maus olhados e incendiou a casa é parva, crédula e sei lá mais o quê, mas se acendeu as velas para prestar culto à virgem Maria então coitada, esteve a rezar e teve um acidente? Se um puto ouve a música aos berros vamos tocar à campainha e chamar-lhe a atenção devido à falta de respeito pelos outros, mas se os foguetes da festa de Todos os Santos me acordam às 8 da manhã num domingo tenho de respeitar esta impertinência?

Eu posso respeitar as pessoas (nem todas), os animais e as plantas, mas não me peçam para respeitar seja o que for só por andar com a bengala da religião.

 

 

Posted by KK at 12:50:12 | Permalink | Comments (5)

Wednesday, February 14, 2007

Disparates e imperiais

Já me mandaram a boca que estavam fartos de ver a Floribosta no meu blog. Pois é, também eu, mas receio que não tenho nada de brilhante para partilhar. No entanto, e só para ter uma entrada de 2007, vou contar o que fiz hoje. 

Hoje fui com alunos visitar o jornal Record, e depois fui com colegas almoçar, dizer disparates e beber imperiais. Com uma vida destas é difícil escrever seja o que for de pertinente. Aliás, uma visita de estudo para um jornal desportivo fundado por dois analfabetas e um suposto jornalista também não é das coisas mais emocionantes ou pertinentes. Fomos muito bem recebidos e bem tratados pela redacção, os alunos não cometeram nenhuma barbaridade nem foram parar à esquadra da polícia, de maneira que a parte mais interessante foi mesmo a de dizer disparates e beber imperiais (depois de despacher os alunos, porque, obviamente, os profs não fazem coisas destas).

Contudo estou convencida que os meus colegas e eu tivemos um óptimo desempenho no que respeita as espectetivas do nosso primeiro ministro e do seu “comic relief”, a ministra da educação. Só dissemos disparates tal como ela tem vindo a dar o exemplo, e bebemos imperiais para esquecer as consequências. Apesar de não saber a idade dessa coisa (não estou ainda 100% convencida que ela é humana), lamento que o referendo sobre a despenalização do aborto não tenha sido feito e ganho o sim há meio século atrás, pois desconfio que nós, professores e alunos, teriamos agora menos um problema.

 

 

Posted by KK at 16:30:27 | Permalink | Comments (2)