Wednesday, December 20, 2006

Floribosta

No verão os meus sobrinhos estiveram um tempo comigo, de maneira que me iniciaram na experiência aluçinante de ver a Floribosta, digo, Floribella, na sic.

Além de passar num horário a meu ver muito tardio para as crianças, de ter maus actores e maus guionistas, o que mais me chocou foi a mensagem que é transmitida para os miúdos: sejam prepotentes e mal educados!

Vejamos: a personagem principal, que é a Floribosta, é uma jovem semi-analfabeta que vai servir de empregada doméstica para uma família de algum estatuto social/financeiro, se bem que paupérrimos em neurónios. Como sempre nas novelas, vivem todos ao monte mas numa grande mansão, com motorista, criadas, governantas, enfim, the whole caboodle. A Floribosta, além de ser daltónica (reparem nas roupas que veste) e revelar um pequeno atraso mental (tem por volta de 20 anos mas um discurso de uma miúda de 10 sem grande massa encefálica), revela-se como mentirosa compulsiva e prepotente e arrogante perante os seus patrões. Também os miúdos que entram na novela são malcriados e prepotentes, pregando partidas violentas aos habitantes da grande mansão porque não gostam deles e eles são maus. Isto permite à Floribosta e aos miúdos justificar toda a arrogância de se meterem constantemente onde não são chamados, opinarem sobre o que não lhes diz respeito, revistarem quartos que são dos outros, roubarem, mentirem, aldrabarem, fugirem, fazerem maldades(aos maus) e desobedecerem e desrespeitarem o desgraçado que os sustenta que é aparentemente o único que trabalha naquela casa. Parece que os mais novos ainda vão para a escola, mas os mais velhos nem escola nem faculdade nem nada: são meros parasitas do que trabalha. Este, por seu lado, mata-se a trabalhar para garantir uma vida abastadan a todos os parasitas que vivem à custa dele e que o consideram (provavelmente com toda a razão) um atrasado mental. Além do mais, tudo o que é empregado, visita ou mesmo o rapaz das pizzas tem direito a opinar sobre a vida dos patrões do modo mais depreciativo e irreverente.

Sendo assim, que mensagem estamos nós a transmitir à futura geração? Não precisam de estudar nem trabalhar, podem mentir, aldrabar,serem ordinários e prejudicar os outros (justiça por mão própria?),deixa que há de haver sempre um idiota qualquer a trabalhar para tí e não te esqueças que, aconteça o que acontecer, tens todos os direitos e nenhum dos deveres.

Onde é que eu já ouví isto? Ah sim, dos meus alunos, filhos da geração do 25 de Abril, semi-analfabetas que confundiram liberdade com libertinagem e aprenderam a exigir direitos e mais direitos sem se reponsabilizarem nem pelos próprios filhos.

Pois, se até os programas para miúdos continuam a fomentar esta mentalidade miserabilista, nem daquí a cem anos saimos da mediocridade crónica que contagiou quase todos os autóctones deste belo país de brandos costumes.

 

 

 

 

Posted by KK at 19:08:50 | Permalink | Comments (9)