Monday, October 30, 2006

Colónia 2006 - gatos

Isto começa como uma redacção da escola: nestas férias de verão estive em Colónia… Ok., fui -lá com uma sobrinha visitar uma das minhas irmãs, o que significa que não fui lá exactamente pela beleza local nem pelo encanto dos alemães. De facto, depois de ter tido uma infância e uma adolescência na Escola Alemã de Lisboa, a opinião básica que me ficou dos alemães é abaixo do zero absoluto. Estas opiniões da adolescência tendem a prevalecer, mesmo após ter visitado a  Alemanha várias vezes já em adulta.(Uma das vezes à procura de emprego, o que também não me deixou boas recordações).

Desta vez, no entanto, fui forçada a mudar de opinião. Os alemães subiram muitos pontos na minha consideração pelo seu civismo, a sua educação e a sua ética;aliás, ultrapassaram os portuguêses em grande escala. Passo a explicar: para mim não há férias sem um passeio depois do jantar, e se estou a passar férias na zona residêncial duma cidade, paciência, na falta de melhor é lá que passeio. Nestes passeios encontravamos sempre gatos que se aproximavam de nós, pediam festas e até nos seguiam por alguns metros. É preciso dizer mais alguma coisa? Para quem não precebe nada de animais eu dou uma sugestão: exprimentem chamar um gato na rua (sem o alimentar) só para fazer festas. O gato português desaparece ao mesmo tempo que faz um manguito virtual: ele sabe que disso depende a sua sobrevivência; neste país é essêncial recear o ser humano.

E é tudo. Digiram este facto.

 

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Sunday, October 8, 2006

a misteriosa cançao de Paulo de Carvalho

Há anos que tento desvendar este mistério: porquê é que ninguém se lembra duma canção do sr. Paulo de Carvalho que surgiu pouco antes do 25 de Abril, intitulada provavelmente Animal Farm e cantada em inglês. Esta canção era obviamente inspirada pelo romance de George Orwell, Animal Farm, uma crítica à revolução de Outubro e ao regime soviético. Começava “farmer Brown went to town leaving no one else around at the farm while he was gone all day…”. De seguida os animais faziam o que queriam, depois “farmer Brown back from town cast a stupid look around…” e vê a revolta dos animais, ou qualquer coisa do género. Isto já foi há alguns anos, eu era miúda e só ouví a canção duas ou três vezes,pois após o 25 de Abril a moda política Primavera/Verão tendia fortemente para o estilo PREC que fez desaparecer da moda politica nacional, sob pena de total exclusão de todos os acontecimentos sociais, tudo que aludisse sequer ao estilo democrata/capitalista que na altura se usava em muitos países do estrangeiro.

Bom, que o sr. Paulo de Carvalho quisesse estar na moda e eliminasse a dita canção do seu curriculo eu compreendo. O que me intriga é o facto de ninguém do meu grupo etário ou mais velhos, entre eles pessoas muito mais ligadas e interessadas na música portuguêsa do que eu (o que não é difícil), nunca tenham ouvido esta canção. Eu, que canto tão bem como qualquer porta com falta de óleo e tenho o ouvido musical de um calhau, lembro-me da melodia, como é que é possível que pessoas não deficientes musicais como eu nunca a tenham ouvido?

Até há pouco tempo confesso que comecei a acreditar que alucinei, mas por sorte encontrei pelo menos mais uma pessoa que se lembrava da canção: a minha irmã Cristina que nem sequer vive em Portugal. Ao menos já não me sinto tão só. Talvez a minha irmã e eu tenhamos o mesmo gene defeituoso que nos fez alucinar com a mesma letra e melodia ou talvez a canção exista mesmo.

Faço então um apelo aos media: ó meus, o PREC está absolutamente demodé! Podem passar de novo esta canção na rádio ou na TV para que eu e a minha irmã não nos sintamos totalmente anormais?

 

Posted by KK at 22:53:47 | Permalink | Comments (6)

Friday, October 6, 2006

RTP 2

  Sou um dos espécimes raros que ainda não tem TV cabo (sei que existe, só não sei se me interessa). De facto, dos quatro canais que tenho, só mesmo a Rtp 2 me desperta algum interesse. Só aquí consigo escapar da tortura das telenovelas, futebol, concursos e noticiários com opiniões de qualquer bípede que se encontra perto da equipa do exterior na altura da gravação. Os debates são suficientemente interessantes, as séries não são intragáveis, o telejornal limita-se às notícias e os documentários, se bem que por vezes desactualizados e repetidos,têm qualidade. Por isso mesmo chocam-me as más traduções.

As más traduções não são novidade. O que é de lamentar é quando adulteram o sentido original, vedando ao espectador que não domina ideomas a possibilidade de se entreter a aprender. Desconfio que o mesmo acontece quando a locução é feita em português, pois várias vezes surgem afirmações que não fazem sentido. Dois exemplos dos muitos que são o prato do dia:

num documentário sobre babuinos, “Growing up Baboon”, é referido a dificuldade de lutar pela conservação destes animais visto os habitantes locais os considerarem vermes. O espectador que não domina o inglês poderá tirar daquí a conclusão que os habitantes locais são no mínimo deficientes mentais, visto não conseguirem distinguir um mamífero dum invertebrado. Também pode concluir que os habitantes locais desprezam os babuinos, se quisermos interpretar isto no sentido figurado, e nem quero imaginar o porquê. O que de facto é dito no original, é que os habitantes locais os consideram uma praga. Por azar praga, em inglês, é “vermin”, coisa que o bom do trdutor tem o direito de não saber, mas não tem o direito de ser tão def que não note que não faz sentido nenhum no contexto, e pegar no dicionário, se não for exigir muito.

noutro documentário cujo início não ví, mas que contava a aventura de um miúdo tibetano de 8 ou 9 anos que, sendo pobre, optara por se tornar monje e empreendera a viagem até ao mosteiro a pé, acompanhado por um primo mais velho que queria encontrar uma mulher para casar. Durante toda a viagem o miúdo pede ao primo que lhe compre uma bola de baseball. Tanto insiste que o primo acaba por ceder. Feliz, o rapaz agora pede-lhe um morcego, e depois temos uma conversa do estilo:

 rapaz-Compra-me um morcego

primo-para quê?

r - para jogar à bola

p - mas os morcegos são muito caros

r - vá-lá

p - mas o que vais fazer no mosteiro com um morcego ?  

e assim por diante. Parece um diálogo surrealista, mas não. O tradutor, que se calhar até abriu o dicionário, viu que “bat” significava morcego e pronto, continuou o seu trabalho sem notar sequer o disparate que estava a escrever. Talvez nunca lhe tenham explicado que quando se abre um dicionário, não é logo a primeira palavra que serve, mas sim a que se adequa ao contexto. “bat”, obviamente, também significa taco de baseball.

Por uma questão de não bater mais no céguinho, talvez a culpa não seja do tradutor, mas sim do revisor. Tenho uma irmã que ocasionalmente traduz documentários e ela disse-me que muita tradução de qualidade é estragada pelos revisores, ao ponto dela se recusar a assinar traduções revistas por estes tipos. Pergunto : então os revisores ainda sabem menos que os tradutores? Será que quem os contrata os vai buscar dos transportes públicos?

Voltando à vaca fria: por favor, não dêm cabo do único canal que ainda se consegue tragar e tentem manter um mínimo de qualidade, mesmo que tenham de pagar mais uns euros a alguém que saiba inglês.

KK

 

Posted by KK at 19:11:31 | Permalink | Comments (6)